A adolescência é uma das diferentes etapas do desenvolvimento humano, assinalada por alterações significativas em muitos jovens e na relação pais/filhos. Estas alterações manifestam-se ao nível físico, psíquico, afetivo e social. No cerne destas transformações encontra-se a metamorfose do corpo de criança para adulto sexuado. Enquanto criança, destaca-se a segurança de um corpo-casa que, num sistema harmonioso, é cuidado e protegido de forma clara e aceite na relação de dependência com os cuidadores. Na puberdade as alterações morfológicas e hormonais assumem diferentes manifestações com impacto na fisionomia, na estrutura e organização corporal, despoletando alterações ao nível psicológico, com novos desafios. O adolescente adapta-se às mudanças procurando integrá-las, explorando os seus talentos, as suas habilidades e a sua criatividade. Encontra-se num “palco” novo, cheio de “holofotes” com diferentes cores a experimentar, diversas oportunidades e obstáculos a superar.
A adolescência não tem de ser sentida pelos pais/cuidadores como um período desconcertante. A relação de vínculo até então cimentada e a segurança subjacente estabelecida será o mote para uma estima saudável e uma confiança sustentada no senso de capacitação, segurança e no desejo de crescimento e autonomização. Este desafio da autonomização e individuação levam a, até então, criança na busca de uma reestruturação no modo como estabelece as suas relações quer com os pais quer no grupo de pares. É, naturalmente, necessária uma nova abordagem do desenvolvimento, onde a relação parental dá espaço às novas ligações que inspiram interesses e gostos.

O trabalho parental nesta fase não é apenas quando surgem conversas sérias e relevantes, mas continua a ser também quando os pais brincam com os filhos(as), leem para eles, riem ou simplesmente estão juntos com presença. A neuroplasticidade cerebral mostra-nos que todas as experiências moldam o cérebro, para o bem e para o mal, direcionando a criança e o jovem para o que virá a Ser rumo à vida adulta.
Na adolescência os “sermões” raramente deixam uma impressão tão duradoura como as melhores experiências. É fundamental quando os pais se conseguem solidarizar com os momentos difíceis dos filhos. Esta referência e modelo de como se ligam com as suas dores é algo que os ajuda a desenvolver capacidades e componentes tão importantes como a empatia, a compaixão, a tolerância, o respeito, a aceitação… Ser referência, validar e modelar emoções é crucial no processo de autorregulação emocional e comportamental.
O jovem adolescente busca a “separação” dos pais com o controverso de sentir que se pode perder. Este é o paradoxo da adolescência que é mitigado por meio do estabelecimento de limites. Aqui, o papel dos pais é o de apoiar e facilitar o processo de separação e autonomização demonstrando que não pretendem a todo o custo preservar o estado de infância do seu filho/a, devem sim, revelar o caminho do aconselhamento e suporte nos seus ímpetos de afirmação.
A adolescência…
• Pode ser doce, mantendo a ternura da infância e a criatividade e desejo de descoberta do jovem.
• Permite o incremento de conversas mais elaboradas, ricas em conteúdo e empáticas, onde se expressam diferentes pontos de vista.
• Deve proporcionar o espaço seguro onde o jovem se sente acolhido e validado nas suas emoções, apoiado nas suas descobertas e esclarecido de forma não intrusiva nas suas necessidades de crescer.
Susana Amaral
CP 8422
